Livro #164: From Sand and Ash

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From Sand and Ash

Título: From Sand and Ash
Autora: Amy Harmon
Editora: Não publicado no Brasil
Paginas: 386
Ano: 2016
Sinopse: Quando crianças, Eva Rosseli e Angelo Bianco foram criados como família, mas separados por circunstâncias e religião. Com o passar dos anos, os dois encontram-se apaixonados. Mas a igreja chama Angelo e, apesar de seus sentimentos profundos por Eva, ele escolhe o sacerdócio. Agora, mais de uma década depois, Angelo é um padre católico e Eva é uma mulher sem lugar para viver. Com a chegada da Gestapo, Angelo esconde Eva dentro das paredes de um convento, onde Eva descobre que ela é apenas um dos muitos judeus que estão sendo abrigados pela Igreja Católica. Mas Eva não pode se esconder silenciosamente esperando por libertação, enquanto Angelo arrisca tudo para mantê-la segura. Com o mundo em guerra e tantos necessitados, Angelo e Eva enfrentam julgamento após julgamento, escolha após escolha agonizante, até que destino e fortuna finalmente colidem, deixando-os com a decisão mais difícil de todas.


Eva e Angelo são família, não de sangue, mas de coração.
Depois de perder sua mãe, Angelo é mandado pelo pai para viver em Florença, Itália, com os avós, consequentemente morando junto com Eva e Camillo, o Babbo (pai em hebraico) dela, pois seus avós trabalham e moram na casa dele.
Com poucas coisas em comum no começo, apenas com o fato de não terem mais mães vivas, embora Eva nem se lembre mais da dela, eles criam uma amizade, eles viram família e se apaixonam um pelo outro.
Mas é impossível que eles fiquem juntos - não por causa de sua família, ou que ele esteja estudando para se tornar padre, ou porque eles são de religiões diferentes, mas porque uma guerra está se aproximando e talvez a única maneira de manter a garota que ama e toda a família deles vivos e tantas outras pessoas... seja se Angelo tornar um padre.

"-Pensei em me casar com você algum dia, Angelo. Você sabia disso? Eu queria casar com você. Mas isso não pode acontecer agora, pode?
-Isso nunca ia acontecer, Eva. Em um ano, poderei receber as Ordens Sagradas, e me tornarei sacerdote. Eu vou ser um padre, Eva. Meu caminho está definido.
-Não. Isso não pode acontecer porque eu sou judia. E agora é contra a lei que os católicos se casem com judeus. É contra a lei que eu te ame, Angelo."


Em poucas palavras, esse é o livro.
Em muitos menos palavras: Estou anestesiada.
O livro parece tão real, que, mesmo sabendo que é real, que todas aquelas coisas aconteceram na guerra, você pensa que é mentira, porque só uma mentira para ser tão feia, só em uma mentira para as pessoas serem tão idiotas e matarem umas as outras sem motivo, por um motivo idiota, mas não é isso que está acontecendo agora?

"-E o que você aprendeu?
-Um bom negócio. Mas eu não aprendi a coisa mais importante.
-Não? E o que seria?
-Por que as pessoas nos odeiam tanto?"

Guerras acontecem por poder e sempre existem pessoas que querem mais e sempre existe as que são pegas no meio e morrem por uma causa que nem acreditam, mas que são forçados a fingir ter, e também tem as que se recusam a acreditar em algo que tentam lhe forçar, que se mantêm fieis as suas crenças, e morrem sem nenhuma dignidade.
Guerras tiram dignidades, nos transformam em monstros, nos faz esperar o pior sempre, nos deixa sem fé e esperança de que, em algum momento, todo aquele sofrimento acabará. Mas nos faz perceber também o quão grande é o amor e como você faria qualquer coisa pelas pessoas que ama, como morreria se ela apenas morresse, e como viveria por elas.
A guerra, por mais horrenda que seja (não que eu esteja tentando dizer que ela é boa), por nos tirar tanto, nos deixar sem nada, também nos faz ter esperanças em nós mesmos, porque, no meio de tantas pessoas ruins, pessoas que não podem ser culpadas (não que eu culpe se você os culpar), pessoas medrosas, pessoas que seguem o fluxo e fazem o que lhe ordenam pra não morrer, há também pessoas boas, pessoas corajosas, que, mesmo com medo, dão suas vidas por outras, que fazem o certo colocando a si mesmo no perigo.

"(...) o perderam gradualmente, centímetro por centímetro, indignidade por indignidade, até que não sobrou nada quando ele finalmente puxou o gatilho."

Na sétima série, eu fiz um trabalho sobre a Segunda Guerra Mundial e eu achei incrível o fato dos Testemunhas de Jeová terem recebido a oportunidade de renunciar a sua fé e a Deus, de serem libertados dos campos de concentração, mas que eles se mantiveram fieis ao que acreditavam. E morreram.
Eu nem sei porque estou digitando (falando) sobre isso.
Talvez porque agora, depois de ler essa história, desse Titanic no meio da Segunda Guerra (quantos amores como esses não existiram realmente?), eu posso acrescentar padres e freiras católicos que usaram seus cargos, suas igrejas, suas vidas, para ajudarem pessoas de outras religiões, pessoas que não acreditam em Jesus, mas que mesmo assim acredita em Deus, pessoas que não mereciam morrer. E que enxergaram seus familiares, seus amigos, tudo, todos... morrerem. Enquanto viviam.

"(...) ela é... judia.  É a herança dela. É a sua história. É mais do que religião. É quem ela é. Quem seu pai é. Quem eram seus ancestrais."

Hum, eu não sei. Eu conversei com um garoto uma vez e ele disse algo assim, que Jesus era uma versão de Deus e me pareceu algo tão... não parecia improvável, tinha até um certo sentido, mas era um pensamento novo para mim, uma probabilidade tão boa quanto não.
 Para católicos, Jesus era Deus. Para judeus, Jesus não era filho Dele. Para mim, sim e não. Quem está certo? Quem está errado? Eu não sei, ninguém sabe, isso é fé - acreditar em algo quando ninguém mais acredita, é acreditar em si mesmo e nos outros, e, mais importante de tudo, aceitar a fé do seu próximo. Fé não é sobre estar certo. Acreditar em Deus não é acreditar apenas em suas convicções, é acreditar em amor e perdão e Deus é isso.

"(...) estou convencida de que Deus não é apenas meu Deus ou o Deus de Angelo. Ele é Deus. Ele não seria Deus se ele fosse apenas Deus para alguns de seus filhos... Ele faria? Se seus filhos o chamam ou não pelo mesmo nome? Eu chamo meu pai de "Babbo." Angelo se refere a seu pai como "Papá." Será que importa do que chamamos Ele? Importa como oramos, se nossa devoção é pura, se nosso amor por Ele nos leva a amar e servir e perdoar e ser melhor?"

Eu podia falar muito sobre guerras e o quão sem sentido elas são... Mas estamos falando de um livro, de um livro de Amy Harmon, então estamos falando de Deus e amor (não estamos tão fora assim do assunto). Então vamos voltar para ele. Para o romance.
O livro começa alguns capítulos adiantados com Angelo machucado e ensaguentado, não aguentando dar mais nenhum passo, mas dando, porque precisa chegar a Eva. E então ele descobre que ela foi levada por alemães. Ai, voltamos alguns capítulos e descobrimos como chegou a isso, para então chegar ao final e descobrir que Deus faz milagres.

"-E Deus? - Ele perguntou. -Deus perdoa.
-E os meus votos?
-Deus perdoa.
-Você tem tanta certeza da natureza de Deus?
-Angelo, só tenho duas coisas que eu sei com certeza. A primeira? Eu te amo. Eu sempre te amei. Eu te amo agora. Eu vou te amar em cinquenta anos. Eu te amo. Segundo: Ninguém conhece a natureza de Deus. Nem você, nem eu, nem Monsenhor Luciano, nem meu pai, nem Rabino Cassuto. Nem mesmo o papa Pio XII. Ninguém."

Eu adorei esse livro, como adoro todos os outros livros dessa autora. E, no começo, eu fiquei meio assim por ser um romance entre um padre e uma judia, apenas porque não é uma coisa que esperamos (é, estou envergonhada de mim mesma) e também fiquei ansiosa por todos os romances de Amy são espetaculares e eu não tinha dúvida de que esse seria, eu não tive dúvida de que iria lê-lo embora não goste muito de histórias tristes em cenários reais.
E, por fim, uma reflexão:

"Talvez as pessoas não tivessem escolha, mas às vezes eu me pergunto o que teria acontecido se todos sem escolha tivessem feito uma escolha de qualquer maneira. Se todos nós decidíssemos não participar. Não ser intimidado. Não pegar em armas. Não perseguir. O que aconteceria então?"

O que aconteceria então?
Citações do livro.

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