Livro #213: A guerra que salvou a minha vida

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Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando. Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor. Kimberly Brubaker Bradley consegue ir muito além do que se convencionou chamar “história de superação”. Seu livro é um registro emocional e historicamente preciso sobre a Segunda Guerra Mundial. E de como os grandes conflitos armados afetam a vida de milhões de inocentes, mesmo longe dos campos de batalha. No caso da pequena Ada, a guerra começou dentro de casa. Essa é uma das belas surpresas do livro: mostrar a guerra pelos olhos de uma menina, e não pelo ponto de vista de um soldado, que enfrenta a fome e a necessidade de abandonar seu lar. Assim como a protagonista, milhares de crianças precisaram deixar a família em Londres na esperança de escapar dos horrores dos bombardeios. (Skoob)
BRADLEY, Kimberly. A guerra que salvou a minha vida. DarkSide Books, 2017. 240 p.


Eu estou participando do #desafioleiturasatnoon2020 e foi tão difícil achar um livro que falasse sobre relacionamento abusivo e/ou personagem refugiada escrito por uma mulher (desafio do mês de janeiro). Quando vi esse livro, não acreditei. Ele se encaixa nas duas categorias disponíveis.

"Existe guerra de tudo quanto é tipo."

Ada é uma garota com uma deficiência no pé, que a faz mancar. Ela não pode sair de casa, sua mãe não a deixa, diferente de Jamie, seu irmão menor, que é bom e saudável e estar livre. O que a salva, o que a dar sua liberdade, é a guerra; é a guerra que dar uma chance dela ficar longe de sua mãe e malfeitora, uma vez que as crianças estão sendo evacuadas para o campo.

O primeiro capítulo já começa de forma bruta e eu já pensei "esse livro vai arrancar meu coração e queimá-lo, me deixar em frangalhos". É um livro que me deixou com um bolo na garganta e com uma tristeza tão grande, já nas primeiras páginas, já no primeiro capítulo. O resto do livro foi uma montanha russa só para baixo, com ocasionais sentimentos de alegria, porque cada pequena coisa boa vinha acompanhado da melancolia de antes não existir nada disso.

Eu queria pegar essas duas crianças e protegê-las, guardá-las perto do meu coração onde estaria sempre quentinho e com comida. Mas que mãe desgraçada! Com essa, eu queria maltratá-la, fazê-la receber de volta tudo que fez. E com juros e correção monetária!

"No fim das contas, foi a combinação das duas guerras — o fim da minha pequena guerra contra o Jamie e o início da grande guerra, a do Hitler — que me libertou."

A autora escreveu de forma maravilhosa, com uma inocência e inteligência que apenas crianças são capazes, não esquecendo em nenhum momento os problemas da deficiência da Ada, do abuso sofrido pela mãe ou da guerra. Esses três temas são os principais e eu queria chorar. Sabe a sensação de angústia do primeiro capítulo e da montanha russa? Não parou em nenhum momento durante a leitura.

E por que cidades do campo sempre tem essa vibe tão boa? Me sinto até uma enganadora, colocando esse livro como categoria do #MaratonaDoCamera também, não era minha intenção. Mas, sério, quem não quer conhecer um lugar assim (e Inglaterra!), com grama verde brilhante, céu azul pastel, nuvens brancas e fofas, sol morninho para dormir do lado de fora com um vento refrescante, hum... Esse lugar seria perfeito para uma festa ao ar livre!

"Um novo e desconhecido sentimento me preencheu. Parecia o mar, a luz do sol, os cavalos. Parecia amor. Vasculhei minhas ideias e encontrei o nome. Felicidade."

Ainda no livro, o final foi ótimo e eu quero ler a continuação e não quero, porque eu estava me preparando para uma catástrofe e não houve (#spoiler), mas um segundo livro é a oportunidade perfeita e crianças são minha fraqueza. É tão ruim vê-las sofrendo!

Livro participante Desafio Leituras At Noon 2020, na categoria "relacionamento abusivo e/ou personagem refugiada escrito por uma mulher".
Livro participante da Maratona Do Câmera, na categoria "lugar da festa".

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