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Yuki Kurohime


Quando Gregor Samsa, certa manhã, acordou de sonhos intranquilos, tudo mudou. Não só em sua vida, mas no mundo. Ao se encontrar metamorfoseado em um inseto monstruoso, Gregor acompanha as reações de sua família ao perceberem o estranho ser em que ele se tornou. E, enquanto luta para se manter vivo e entender a sua nova realidade, reflete sobre o comportamento de seus pais, de sua irmã e de seu chefe, e de forma ainda mais angustiante, pensa na própria vida até então.Essa pequena novela, lançada em 1915, revolucionou a literatura e as artes. De forma agressiva, acessível e inovadora, tornou-se um dos mais importantes e difundidos textos da história.Além de tradução inédita feita por Petê Rissatti, essa nova edição traz 93 ilustrações exclusivas, por meio das quais o artista e escritor Lourenço Mutarelli interpreta o processo de transformação de Gregor. Inclui-se, por fim, um ensaio de Flavio Ricardo Vassoler, doutor em literatura comparada, sobre a contemporaneidade de Franz Kafka.

Franz Kafka | A Metamorfose | Antofágica | 2019 | 232p.


Metamorfose é uma história que me perguntei porque foi um sucesso. Quero deixar claro que estou criticando o livro. O livro pelo livro. Porque eu não achei grande coisa enquanto lia. Gostei mais dos questionamentos secundários que tive do que a própria história.


Porque.


Quando a gente pensa nas implicações da história, da atemporalidade e nas simbologia e leituras que podemos fazer, ai, sim, esse conto de Kafka torna-se interessante.


Mas não foi enquanto lia.


O que eu amei mesmo foi as ilustrações na edição da Antológica. Que arte mais... assombrosa, desconfortável, angustiante, horripilante.


Amei.


Quero mais livros dessa editora.


E o que você achou desse conto? Já leu ou alguma outra história de Kafka?

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Sucesso de vendas na Suécia, uma história divertida e emocionante sobre como uma única pessoa pode mudar a vida de outras — e ter sua própria vida mudada por elas. Ove tem cinquenta e nove anos e não gosta muito das pessoas. Afinal, hoje em dia ninguém mais sabe trocar um pneu, escrever à mão ou usar uma chave de fenda. Ninguém mais quer trabalhar e assumir responsabilidades. Todo mundo é jovem, usa calça justa e só quer saber de internet. Para Ove, uma sociedade em que tudo se resume a computadores e café instantâneo só pode decepcioná-lo. Como se isso não bastasse, a única pessoa que ele amava faleceu. Sem sua esposa, a vida de Ove perdeu a cor e o sentido. Meses depois, ele toma uma decisão: vai dar fim à própria vida. No entanto, cada uma de suas tentativas é frustrada por algum vizinho incompetente que precisa de ajuda. Mas, quando uma estranha família se muda para a casa ao lado, Ove aos poucos passa a encarar o mundo de outra forma.

 Fredrik Backman | Um homem chamado Ove | Alfaguara | 2015 | 352 p.


Desde que eu encontrei esse livro, eu estava doida para lê-lo. O plano era deixá-lo para o próximo mês em autor sueco no DLL20, mas não aguentei.

E parecia ser o destino quando estava procurando um filme com a temática de suicídio para um evento acadêmico que estou organizando e encontrei esse.

Sim, suicídio.

(#Gatilhos!)

Ove, depois de perder a esposa, depois de perder o emprego, encontra-se sem objetivo em sua vida e acha que finalmente chegou a hora de reencontrar sua amada. Mas seus vizinhos não deixam!


"Não é possível que aqueles mesmos vizinhos que constantemente o impedem de morrer não se acanhem de querer levar um homem à loucura e à beira do suicídio. Eis uma coisa que é certa."


Para mim, ler esse livro me permitiu uma nova perspectiva. Suicídio em idosos está ultrapassando os de adolescentes em algumas partes do mundo. E a expectativa é isso continuar! E uma coisa é ler um artigo sobre isso, e outra totalmente diferente é ler uma história sobre e entrar na vida de Ove, viver o que ele vive, sentir o que ele sente.

O autor fez um trabalho incrível, porque... é um livro pequeno, mas ele sai jogando vários detalhes e personagens incríveis e não tem como não amar cada um. O melhor de todos é Ove, que é um velhinho não simpático, rabugento, que fala muito palavrão e adora rotina, mas que sempre faz o certo, sempre sai do seu caminho para ajudar os outros.


"Ele entendia de ângulos retos e instruções claras. Maquetes e plantas. Coisas que podia desenhar num papel. Ele era um homem em preto e branco.

E ela era a cor. Toda a cor dele."


Enfim, o livro é sereno, engraçado e melancólico (não exatamente triste, embora tenha seus momentos), e romântico. O amor de Ove pela esposa e as partes que fala dela são os mais lindos.


Livro participante do #DLL20, na categoria "autor não lido"

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Um livro emblemático sobre racismo e injustiça: a história de um advogado que defende um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca nos Estados Unidos dos anos 1930 e enfrenta represálias da comunidade racista. O livro é narrado pela sensível Scout, filha do advogado. Uma história atemporal sobre tolerância, perda da inocência e conceito de justiça.
Harper Lee | O sol é para todos | José Olympio | 2015 | 364 p.

Eu comprei esse livro há mais de um ano, como presente de aniversário para mim mesma. Comecei a leitura, mas ela não me prendeu e eu dei uma pausa e nunca surgiu a oportunidade para tentar de novo.

Isto é, até agora e #DLL20 na categoria "um que você não terminou".

E que bom que terminei esse livro!

"Eu não gostava de ler até o dia em que tive medo de não poder ler mais. Ninguém ama respirar."

O sol é para todos foi uma leitura que demorou a me pegar (mais de um ano). Eu demorei a entender a história e esqueci que posso ler a sinopse... Às vezes acontece de eu ficar esperando ser surpreendida, só que, nesse caso, demorou um pouco de mais.

Um terço do livro, quase 100 páginas lidas, é que veio o "ahhh" da sabedoria e a história começou a ficar interessante, começou a fazer sentido.

Esse livro me lembrou um pouco de Um lugar bem longe daqui e não somente porque demorou a me cativar. Ambos são livros do século 20, que trazem o preconceito racial como tema. Em O sol é para todos, tal discussão é bem mais nítida e revoltante. Além disso, temos o resultado de um julgamento para nos preocupar.

"Ainda que tenhamos perdido antes mesmo de começar, não significa que não devemos tentar."

A história é narrada por uma criança e, apesar de eu achar essa narração a melhor, há uma maturidade e um sagacidade que eu não esperava. A todo instante me surpreendia por Scout ter apenas 7 anos. Eu não era tão inteligente assim aos 7 anos.

Adorei os personagens, embora eu não possa dizer o mesmo sobre os acontecimentos, porque são revoltantes e eu queria tanto que não tivesse sido, que ainda seja, assim.

Entendo porque esse livro seja um clássico da literatura agora. Ele é muito bom e deveríamos ter mais Atticus na vida real, onde as pessoas são a mesma em casa e na rua.


Mais duas citações que amei:

"(...) antes de ser obrigado a viver com os outros, tenho de conviver comigo mesmo. A única coisa que não deve se curvar ao julgamento da maioria é a consciência de uma pessoa."

"Coragem é fazer uma coisa mesmo estando derrotado antes mesmo de começar. E mesmo assim ir até o fim, apesar de tudo. Você raramente vai vencer, mas às vezes vai conseguir."

Livro participante do #dll20, na categoria "um que não terminou"
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Aos 15 anos, Will conhece intimamente a violência. Ela está à espreita no dia a dia de seu bairro, nos avisos para que não volte tarde para casa, nos sussurros dos vizinhos sobre mais uma pessoa que foi morta. Dessa vez, os sussurros são sobre seu irmão mais velho. Shawn foi assassinado na rua onde a família mora. Contado do ponto de vista de Will, Daqui pra Baixo é uma narrativa ágil que se passa em pouco mais de um minuto — o tempo que o elevador do prédio leva para chegar ao térreo. Esse é o tempo que Will tem para descobrir se vai seguir as regras de sua comunidade ou se é possível não perpetuar o ciclo de violência. A regra número 1 é não chorar. A número 2, nunca dedurar alguém. A terceira, a crucial: se fazem algo com você ou com os seus, é preciso se vingar. A curta trajetória do elevador é ritmada pelas paradas em cada andar e por aqueles que aos poucos ocupam a cabine e os pensamentos de Will. Cada rosto tem uma história de vida e de morte. Will, em questão de segundos, vai definir a dele.
Jason Reynolds | Daqui pra baixo | Intrínseca | 2019 | 320 p.


Eu estou sem palavras.

Esse é O livro que eu procurava desde que li A bruxa não vai para fogueira neste livro, onde o início de cada secção era a continuação da antiga.

Em outras palavras,  eu queria uma história em verso.

Esse livro é uma história em verso.

" Fica quieto, cochichei pra ele.
Fica firme, cochichei pra mim
Porque chorar é quebrar
As Regras."

Eu estava um pouco receosa se a história em si, a trama, poderia ter sido contada em verso, e eu não vejo uma forma melhor do autor ter feito isso.

Ele não apenas contou a história, mas conseguiu transmitir tanto sentimento através da poesia, que eu tenho certeza que ela pode mudar o mundo.

Há uma profundidade em seus personagens, em suas ações... Há uma história que não é apenas fictícia, mas real.


"mas se o sangue dentro de você
corre dentro de outra pessoa,
você nunca vai querer
ver esse sangue correr fora deles."

Isso é o que vocês, fãs de Anne com um E, chamariam de "romance trágico", tenho certeza.

Eu estou totalmente apaixonada por essa escrita e triste; tão, tão triste, porque tudo que aconteceu no livro, acontece na vida, acontece num ciclo de "passado presente futuro eternamente", como o autor traz, e é tão, tão triste.

E o final? Eu realmente quero falar dele. Acho que nunca gostei tanto de um final aberto quanto esse, porque o futuro é uma possibilidade e não algo marcado à ferro, é algo que pode ser diferente e quebrar o círculo.

Amanhã pode ser diferente de hoje e ontem.

Livro participante do #DLL20, na categoria "personagem negro".
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Uma história emocionante, ideal para fãs de O Pequeno Príncipe. Todas as crianças têm medo de escuro. O escuro é um quarto sem portas nem janelas, com monstros que nos prendem e nos devoram em silêncio. Eu tenho medo só do meu escuro, aquele que tenho dentro dos olhos. Para Mafalda, de nove anos, o escuro é a sua única certeza e o seu destino: em algum momento nos próximos seis meses ela perderá a visão. Diante de um futuro assustador e desconhecido, Mafalda – com a ajuda de sua família e seus amigos – precisará descobrir o que realmente importa conforme sua visão começa a falhar.
Paola Peretti | A distância até a cerejeira | Planeta | 2019 | 244 p.


Eu estava esperando um livro tipo O pequeno príncipe, porque foi isso que a sinopse disse, mas não tem muita semelhança, na minha opinião. Tem referência ao livro de  Antoine de Saint Exupéry? Tem, mas A distância até a cerejeira é sua própria história.

Nela, acompanhamos a pequena Malfada, uma menina pequena que conta os passos até a cerejeira, o quão longe consegue enxergá-la, porque a cada dia sua visão vai piorando. Ela tem uma doença rara que a tornará cega.

"Todas as crianças têm medo de escuro. O escuro é um quarto sem portas nem janelas, com monstros que nos prendem e nos devoram em silêncio. Eu tenho medo só do meu escuro, aquele que tenho dentro dos olhos."

Ok, não preciso dizer que essa história tem um teor melancólico, está óbvio. Mas, sim, vamos ser óbvio: melancólico. Entretanto, ainda sim, é meio que refrescante. É uma história sobre ver o bom apesar de tudo, sobre nunca desistir, nunca, e sobre buscar o que lhe é "essencial", o que você não pode viver sem, e ser corajoso apesar do medo, qualquer que seja ele.

Refrescante.

Oh, sim, temos algo parecido com O pequeno príncipe: a perspectiva de uma criança, que é leve, inocente e tão única, capaz de ver as coisas como elas realmente são.

"Encontre a sua rosa, Mafalda. O seu essencial. Uma coisa que você pode fazer até sem os olhos."
"O medo nos ajuda a ver as coisas com 
mais clareza depois de um tempo."
"Quem tem medo não vive, Mafalda."

Esse foi um ótimo livro para encerrar o mês (vamos desconsiderar que estou lendo o primeiro dos Bridgestone e irei terminá-lo daqui a pouco, antes do fim de fevereiro). Foi um sacrifício encontrar o livro de autor italiano para o #dll20, que me agradasse, mas recompensador, no final das contas.


Livro participante do #DLL20, na categoria "autor italiano".
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Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando. Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor. Kimberly Brubaker Bradley consegue ir muito além do que se convencionou chamar “história de superação”. Seu livro é um registro emocional e historicamente preciso sobre a Segunda Guerra Mundial. E de como os grandes conflitos armados afetam a vida de milhões de inocentes, mesmo longe dos campos de batalha. No caso da pequena Ada, a guerra começou dentro de casa. Essa é uma das belas surpresas do livro: mostrar a guerra pelos olhos de uma menina, e não pelo ponto de vista de um soldado, que enfrenta a fome e a necessidade de abandonar seu lar. Assim como a protagonista, milhares de crianças precisaram deixar a família em Londres na esperança de escapar dos horrores dos bombardeios. (Skoob)
BRADLEY, Kimberly. A guerra que salvou a minha vida. DarkSide Books, 2017. 240 p.


Eu estou participando do #desafioleiturasatnoon2020 e foi tão difícil achar um livro que falasse sobre relacionamento abusivo e/ou personagem refugiada escrito por uma mulher (desafio do mês de janeiro). Quando vi esse livro, não acreditei. Ele se encaixa nas duas categorias disponíveis.

"Existe guerra de tudo quanto é tipo."

Ada é uma garota com uma deficiência no pé, que a faz mancar. Ela não pode sair de casa, sua mãe não a deixa, diferente de Jamie, seu irmão menor, que é bom e saudável e estar livre. O que a salva, o que a dar sua liberdade, é a guerra; é a guerra que dar uma chance dela ficar longe de sua mãe e malfeitora, uma vez que as crianças estão sendo evacuadas para o campo.

O primeiro capítulo já começa de forma bruta e eu já pensei "esse livro vai arrancar meu coração e queimá-lo, me deixar em frangalhos". É um livro que me deixou com um bolo na garganta e com uma tristeza tão grande, já nas primeiras páginas, já no primeiro capítulo. O resto do livro foi uma montanha russa só para baixo, com ocasionais sentimentos de alegria, porque cada pequena coisa boa vinha acompanhado da melancolia de antes não existir nada disso.

Eu queria pegar essas duas crianças e protegê-las, guardá-las perto do meu coração onde estaria sempre quentinho e com comida. Mas que mãe desgraçada! Com essa, eu queria maltratá-la, fazê-la receber de volta tudo que fez. E com juros e correção monetária!

"No fim das contas, foi a combinação das duas guerras — o fim da minha pequena guerra contra o Jamie e o início da grande guerra, a do Hitler — que me libertou."

A autora escreveu de forma maravilhosa, com uma inocência e inteligência que apenas crianças são capazes, não esquecendo em nenhum momento os problemas da deficiência da Ada, do abuso sofrido pela mãe ou da guerra. Esses três temas são os principais e eu queria chorar. Sabe a sensação de angústia do primeiro capítulo e da montanha russa? Não parou em nenhum momento durante a leitura.

E por que cidades do campo sempre tem essa vibe tão boa? Me sinto até uma enganadora, colocando esse livro como categoria do #MaratonaDoCamera também, não era minha intenção. Mas, sério, quem não quer conhecer um lugar assim (e Inglaterra!), com grama verde brilhante, céu azul pastel, nuvens brancas e fofas, sol morninho para dormir do lado de fora com um vento refrescante, hum... Esse lugar seria perfeito para uma festa ao ar livre!

"Um novo e desconhecido sentimento me preencheu. Parecia o mar, a luz do sol, os cavalos. Parecia amor. Vasculhei minhas ideias e encontrei o nome. Felicidade."

Ainda no livro, o final foi ótimo e eu quero ler a continuação e não quero, porque eu estava me preparando para uma catástrofe e não houve (#spoiler), mas um segundo livro é a oportunidade perfeita e crianças são minha fraqueza. É tão ruim vê-las sofrendo!

Livro participante Desafio Leituras At Noon 2020, na categoria "relacionamento abusivo e/ou personagem refugiada escrito por uma mulher".
Livro participante da Maratona Do Câmera, na categoria "lugar da festa".
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Quem sou eu?

Oi, sou K - e/ou Yuki Kurohime dependendo de onde estou. Em alguns momentos, sou a psicóloga K; em outros, sou a leitora, escritora e blogueira Yuki. Por qual dessas facetas sou mais apaixonada? Difícil escolher... Te convido a conhecer um pouco mais sobre a Yuki (sobre mim) por meio das minhas resenhas!

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