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Yuki Kurohime



Eu tentei fazer esse texto e comecei e re-comecei várias vezes, porque nunca estava bom. Sabe por que? Porque não é meu lugar de fala, porque não sou negra, não sofro racismo e não posso falar sobre isso, mas posso e TENHO que me posicionar.

Eu sou branca e não sou racista, mas, como estamos vendo, não adianta não ser racista, você tem que ser ANTIRRACISTA, e você é antirracista não apenas falando, mas sendo, agindo como tal.

Posicione-se.

Viu algum ato de racismo ou alguma outra discriminação? Não fique calado, não compactue; não faça parte dessa violência.

Posicione-se.
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Quem tem medo do feminismo negro? reúne um longo ensaio autobiográfico inédito e uma seleção de artigos publicados por Djamila Ribeiro no blog da revista CartaCapital, entre 2014 e 2017. No texto de abertura, a filósofa e militante recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama de “silenciamento”, processo de apagamento da personalidade por que passou e que é um dos muitos resultados perniciosos da discriminação. Foi apenas no final da adolescência, ao trabalhar na Casa de Cultura da Mulher Negra, que Djamila entrou em contato com autoras que a fizeram ter orgulho de suas raízes e não mais querer se manter invisível. Desde então, o diálogo com autoras como Chimamanda Ngozi Adichie, bell hooks, Sueli Carneiro, Alice Walker, Toni Morrison e Conceição Evaristo é uma constante.
Djamila Ribeiro | Quem tem medo do feminismo negro? | Companhia das letras | 2018 | 152 p.


Quem tem medo do feminismo negro? é uma coletânea de ensaios que foram publicados por Djamila em CartaCapital. Ela aborda feminismo, racismo e o feminismo negro.

Ok, Bela, mas o que é o feminismo negro?

Primeiro, preciso apontar que existe várias formas de ser mulher, não há um padrão universal, e o livro traz isso, mostra que cada mulher é única e não se pode falar de um feminismo geral. O feminismo negro seria a respeito das lutas de mulheres negras, que sofrem machismo, sexismo e racismo.
.
"Pessoas que lutam contra as desigualdades não se fazem de vítimas: são vítimas de um sistema perverso e, ao mesmo tempo, sujeitos de ação, porque o denunciam e lutam para mudá-lo."
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Eu sempre gosto de me questionar sobre meus pensamentos. Não estamos livres dos preconceitos, ninguém está. E esse livro traz uma ótima oportunidade para repensar situações das mais diversas, das mais cotidianas.

Dois pontos que eu não gostei do livro foi o tom e o fato da autora dizer que não deve existir primazia nas opressões, porque todos são opressões (o que eu concordo, não estou negando isso; adorei isso), e depois faz uma escala de opressão.

Na minha opinião, é desnecessário mensurar sofrimento, não é uma competição de quem sofreu mais ou menos.
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"Pensar a interseccionalidade é perceber que não pode haver primazia de uma opressão sobre as outras e que é preciso romper com a estrutura."
.
Tenho até medo das repercussões.

Mas.

Estou sempre aberta a discussões pelo direct; adoro problematizar o meu próprio pensamento, só não vamos baixar o nível. E, se vamos debater um tema, por favor, leia o texto base (esse aqui, que gerou tudo mais) primeiro.

Livro participante da Maratona TriLit na categoria "livro pequeno".
Livro participante do #desafiosleituraatnoon2020, na categoria "autora negra".
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Assim como Billy Pilgrim, o protagonista de Matadouro-Cinco, Vonnegut testemunhou como prisioneiro de guerra, em 1945, a morte de milhares de civis, a maior parte deles por queimaduras e asfixia, no bombardeio que destruiu a cidade alemã. Billy tinha sido capturado e destacado para fazer suplementos vitamínicos em um depósito de carnes subterrâneo, onde os prisioneiros se refugiaram do ataque dos Aliados. Salvo pelo trabalho, depois de ter visto toda sorte de mortes e crueldades arbitrárias e absurdas, Billy volta à vida de consumo norte-americana e relata sua pacata biografia, intercalando sua trajetória aparentemente comum com episódios fantásticos de viagens no tempo e no espaço.
Kurt Vonnegut | Matadouro Cinco | Intrínseca | 2019 | 288 p.


Uau, que história. Eu queria ler Kurt Vonnegut desde que encontrei uma referência a ele em Alex Woods contra o mundo, e quando vi essas capas novas da intrínseca eu soube que tinha chegado o momento.

No começo, eu fiquei em dúvida se era ou não uma biografia do autor, porque o mesmo foi prisioneiro de guerra, testemunhou o bombardeio em Dresden e... viajou no tempo? Certo, talvez (talvez) não essa parte não seja verdade.

"Entre as coisas que Billy não podia mudar estavam o passado, o presente e o futuro."

A narração é confusa, cheia de fragmentos, indas e vindas, conforme o personagem viaja no tempo e no espaço. É brilhante. É uma narração digna de alguém que vivenciou a guerra, que vive as consequências desta no cotidiano, nos fatos mais simplórios.

Você pode ler como ficção cientifica, com viagem no tempo, ou como uma ficção baseada em fatos, onde o personagem precisou adaptar sua realidade para viver nela. Eu já disse o quanto adorei?

"Os médicos concordaram: ele estava mesmo ficando louco. Não pensaram que tinha a ver com a guerra."

E Dresden? Vamos falar sério: quem já ouviu falar de Dresden antes? Eu não. Precisei pesquisar e ter a certeza que ocorreu mesmo ou não, se não era uma invenção que nem os Tralfamador (se eles forem invenção). E Dresden foi uma cidadã alemã bombardeada pelos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial; foi um bombardeio desnecessário, sem razões estratégicas, contando com mais morte do que em Hiroshima. Mas por que ela não é lembrada? Porque não foi uma bomba, não foi um ataque "surpreendente"; foi um ataque convencional.

Livro participante do #dll20 na categoria "século passado".
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A história impressionante, inspiradora e divertida da infância e juventude de um dos maiores comediantes da atualidade, ambientada durante os anos finais do apartheid e os dias tumultuosos de liberdade que se seguiram.Como as peças de um quebra-cabeça, as histórias de vida de Trevor Noah formam o retrato de um mundo em desordem, onde os atos mais banais eram considerados crime se você não tivesse a cor certa.

Trevor Noah | Nascido do crime | Verus Editora, TAG - Experiências Literárias | 2019 | 336 p.


Nunca li biografia  porque achava-as chatas e entendiantes antes mesmo de ter lido. Sou esse tipo de vidente. Não iria voluntariamente ler uma nunca (provavelmente nunca) e, ler essa especificamente, se não tivesse recebido-a da @taglivros.

Mais do que uma autobiografia sobre a vida de Trevor Noah, temos a história de Patrícia Noah também, mãe dele. E que mãe maravilhosa.

Eu não sou de marcar livros, mas quero passar o marca texto e fazer anotações nas beiradas com os conselhos dessa mulher. Eu quero ser esse tipo de mãe quando/se eu for; que briga por meio de cartas, que o cria para questionar leis e autoridade, que protege e ama o filho acima de tudo.

"Aprende com o passado e seja uma pessoa melhor por conta disso, ela costumava dizer. Mas não chore pelo que passou  a vida é cheia de dor  permita que a dor o fortaleça,  mas não se apegue a ela. Não seja amargo. "

Confesso que parece ficção. Se eu não soubesse melhor, diria que é tudo imaginação de algum autor, porque... Ele foi jogado nunca carro em movimento? E pela própria mãe? A mãe gritava "pega ladrão" quando ele era pequeno e não queria ficar de castigo?

Lol. Já disse o quanto amei essa mulher?

E adorei a forma como Trevor Noah contou a história. Confesso que eu estava lendo tanto como leitora para apreciar, quanto como escritora para pensar e me questionar porque eu estava apreciando.

"Eles estavam prontos pra me atacar com violência, até sentirem que fazíamos parte da mesma tribo,  aí tudo ficou bem. Esse é outros pequenos indecentes na minha vida me fizeram perceber que língua, até mais que a cor, define quem você é para os outros."

Noah soube costurar muito bem todos os pontos que queria abordar. Ele saia de um ponto para outro, ia e voltava, e conseguiu explorar tudo sem soar confuso. Eu achei surpreendente. Estou até com inveja.

E ele contou sua biografia ao mesmo tempo que contou a do seu povo, porque a história da África é a sua história, e como eu não sabia nenhum pouco sobre ela, percebi.

Agora, depois dessa história impressionante, divertida e enriquecedora?  Vou assistir os filmes, vou achar um tempinho para vê-los. Sim, tem filmes e no plural!

Livro participante do #DLL20, na categoria "biografia".
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O que significa ser feminista no século XXI? Por que o feminismo é essencial para libertar homens e mulheres? Neste ensaio preciso e revelador, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para mostrar que muito ainda precisa ser feito até que alcancemos a igualdade de gênero. Segundo ela, tal igualdade diz respeito a todos, homens e mulheres, pois será libertadora para todos: meninas poderão assumir sua identidade, ignorando a expectativa alheia, mas também os meninos poderão crescer livres, sem ter que se enquadrar em estereótipos de masculinidade.
Chimamanda Ngozi Adichie | Sejamos todos feministas | Companhia das letras | 2015 | 64 p.


Acredito que essa será a resenha mais curta da minha vida, porque não há muito o que falar. O próprio livro é a resenha, basicamente. Você pode lê-lo em poucos minutos e tirar sua própria opinião. Eu recomendo fortemente.

Sejamos todos feministas é a descrição de um discurso feito por Adichie numa palestra, onde a mesma foi convidada para falar sobre feminismo. Ela diz sua opinião sobre e conta histórias de sua vida como exemplos, e tudo é sincero e tocante e você quer mais.

A verdade é mais comovente do que muitas coisas, qualquer coisa. Não é a toa que fujo sempre que tenho chance de biografias e baseado em fatos; fantasia é meu xodó.

"Se repetimos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal. (...) Se só os homens ocupam cargos de chefia nas empresas, começamos a achar 'normal' que esses cargos de chefia só sejam ocupados por homens." 

Enfim, eu queria mais.

Eu quero mais livros dela.

Adichie é engraçada e divertida e sabe contar uma história. Ela fala de feminismo e consegue passar a imagem de que... Ela consegue quebrar todos os estereótipos que há em cima do feminismo, onde mulheres odeiam homens, não se casam, não usam maquiagem, talvez até se odeiem, e sério?

Eu sou feminista e me amo mais do que qualquer outra coisa. Eu não odeio homens, mas, sim, não planejo me casar; uso maquiagem raramente e, não nego, é porque me sinto obrigada, eu sou como muitos por aí que fazem algo porque se sentem obrigado, embora saiba que não deva; e eu me amo acima de qualquer coisa, não custa repetir.

"Perdemos muito tempo ensinando as meninas a se preocuparem com o que os meninos pensam delas. Mas o oposto não acontece."

Já disse o quanto amei esse livro? Não, mesmo? Porque eu amei. Homens e/ou mulheres, venham conhecer mais sobre feminismo em poucas palavras e fazer parte desse movimento na busca pela igualdade de direitos. Eu adoraria mais companhia.
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Romancista celebrado pelas distopias de 1984 e A Revolução dos Bichos, George Orwell também foi um prolífico repórter e colunista. Entre as décadas de 1930 e 1940, o autor de O Que é Fascismo? colaborou em diversos veículos da imprensa britânica. Nesta coletânea de 24 ensaios publicados em revistas e jornais, organizado por Sérgio Augusto, Orwell explora um amplo espectro de assuntos, sempre perpassados pela política, sua principal obsessão intelectual e literária. Com temas que variam de Adolf Hitler à pornografia, de W. B. Yeats a O Grande Ditador, os textos selecionados pelo jornalista Sérgio Augusto compõem um inteligente mosaico das opiniões de Orwell durante o período crítico da Segunda Guerra Mundial e do início da Guerra Fria. Com sua visão irônica do mundo conflagrado da época, os ensaios demonstram a potência criativa do "socialismo democrático" adotado pelo escritor como credo político após sua experiência na Guerra Civil Espanhola, em contraposição aos totalitarismos de esquerda e de direita então em voga.
George Orwell | O que é facismo? E outros ensaios | Companhia das Letras | 2017 | 160 p.


O que é fascismo? E outros ensaios é uma coletânea de ensaios, se eu fosse classificar como alguma coisa. Um compêndio de algumas publicações feitas por George Orwell durante sua vida. Antes desse, só li A Revolução dos Bichos dele, porque fui obrigada na escola; de primeira, não gostei  mas pensando sobre depois, muito anos depois, percebi o quanto a história era boa e ele foi um autor incrível. Eu queria ler mais livros desses e o #dll20 "baseado em fatos" me deu essa oportunidade.

"Vivemos uma época na qual a democracia está em retirada em quase todo lugar, em que super-homens estão no controle de três quartos do mundo, em que a liberdade é descartada na explicação de insidiosos professores, em que o espancamento de judeus é defendido por pacifistas."

Agora, cá entre nós, na minha opinião individual de leitora, a ordem dos ensaios não deveria ser a que foi escolhida. O primeiro capítulo é a resenha de um livro que nunca ouvi, sobre um tema desconhecido por mim também. Isso me fez desanimar quanto a ler.

Eu sai pulando os capítulos até chegar ao terceiro e adorei a escrita e sagacidade da conversa, tinha uma esperteza impressionante. Voltei a ler o primeiro capítulo preparada a não entendê-lo completamente, mas aberta a adquirir qualquer conhecimento que fosse.

Claro, depois de olhar o sumário e ter certeza que não haveria muitas resenhas sobre livros que não li.

"Para começar, qual foi o crime, se é que houve algum, que Mussolini cometeu? Nas políticas do poder não existem crimes, porque não existem leis. (...) A lista de acusações é impressionante, e os fatos principais (...) não são contestados. Campos de concentração, acordos rompidos, cassetetes de borracha, óleo de rícino** - tudo é admitido. A única questão problemática é: como é que algo que era louvável na época em que vocês a praticaram - digamos, dez anos atrás - de repente torna-se repreensível?"

Não tem muito o que dizer sobre o livro. George Orwell foi um colunista de um jornal e o livro mostra a diversidade de áreas que comentava, quer seja livros e filmes ou simplesmente sua opinião sobre algum acontecimento, em resposta a algum leitor, principalmente no que se refere a guerra. Ou as guerras, uma vez que não é apenas da segunda guerra mundial, amplamente conhecida, que ele aborda. Primeiro ensaio está aí como prova, falando sobre Franco e... guerra espanhola?

Oh, sim, quase esqueci: adorei a "imparcialidade" quanto aos partidos. Esse é um jornalista que eu gostaria de ter na atualidade. Senti um viés socialista nele, mas Orwell não apóia incondicionalmente nenhum lado; ele aponta as contradições existentes em cada ideia e não tem medo de discorrer sobre elas.
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Quem sou eu?

Oi, sou K - e/ou Yuki Kurohime dependendo de onde estou. Em alguns momentos, sou a psicóloga K; em outros, sou a leitora, escritora e blogueira Yuki. Por qual dessas facetas sou mais apaixonada? Difícil escolher... Te convido a conhecer um pouco mais sobre a Yuki (sobre mim) por meio das minhas resenhas!

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